Alô, Mundo!

Alô, Mundo!

Tempo de leitura: 2 minutos

Existe algo de simbólico em escrever Alô Mundo. No universo da programação, dizem que todo começo nasce assim: simples, direto, quase tímido. Antes dos sistemas complexos, dos códigos intermináveis e das soluções grandiosas, alguém digita duas palavras e envia ao mundo um sinal de existência.

Hoje, faço o mesmo.

Não com linhas de código, mas com linhas de crônica.

O Alô Mundo dos programadores é um marco silencioso. É quando a máquina responde: estou funcionando. No ambiente profissional, esse momento também existe. Surge na primeira venda, no primeiro contrato assinado com mãos suadas e coração acelerado, quando a ideia sai do papel e pisa no chão da realidade.

Começar é arriscado.
Mas permanecer invisível é ainda mais.

Na escrita de crônicas, o primeiro texto é esse mesmo gesto inaugural. Não se trata apenas de publicar. Trata-se de se apresentar. De dizer: estou aqui, observando, sentindo, aprendendo.

A crônica tem algo que o universo corporativo muitas vezes esquece: ela presta atenção ao detalhe. Enquanto o mercado fala de metas, projeções e estratégias, a crônica percebe o café esfriando na mesa durante uma reunião, o olhar cansado no fim do expediente, o vendedor ambulante oferecendo mate e biscoito Globo na praia sob 40 graus no Rio de Janeiro, como se aquele fosse o negócio mais importante do mundo.

E talvez seja.

Porque, no fim das contas, tudo é feito de gente. A vida diária, essa matéria-prima das crônicas, é onde tudo realmente acontece. O empreendedor enfrenta inseguranças, o escritor lida com prazos e o profissional busca significado — todos tentando equilibrar expectativas e realidade.

Escrever sempre foi, para mim, uma forma de organizar o que o dia embaralha.

Meu Alô Mundo não é apenas a estreia de um blog. É a decisão de transformar rotina em narrativa. Negócios em aprendizado. Silêncios em palavras.

Escrever crônicas é administrar emoções. É investir em memórias. É empreender no invisível. Não há planilha que calcule o valor de um texto que toca alguém do outro lado da tela. Não há gráfico que meça o impacto de uma reflexão feita na hora certa.

Talvez este espaço fale de trabalho, de desafios, de ideias que deram certo e das que não deram. Talvez fale da vida simples que insiste em acontecer entre uma tarefa e outra. Talvez fale apenas do que vejo da janela, do quintal, da rua, do coração.

Mas hoje, tudo começa com duas palavras.

Alô, Mundo!

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