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O dia amanheceu chuvoso.
Aquelas manhãs em que parece que o céu acordou antes de nós, decidido a derramar suas próprias inquietações sobre os telhados.
Eu estava cheio de planos. Compromissos marcados, tarefas organizadas, escolhas esperando por mim. Tudo desenhado na mente, com a expectativa de um dia produtivo.
Mas as gotas caíram antes, suaves, continuidade das tempestades que marcaram a semana.
Acordei com o frio repentino da manhã. A casa quieta. O café ainda por passar. E aquela sensação estranha de que os planos, tão bem alinhados na noite anterior, precisavam ser reescritos diante do céu cerrado.
Fiquei observando a janela fechada, embaçada pela brisa, com caminhos desenhados pelas gotas que escorriam. Do lado de fora, tudo parecia suspenso.
Poderia me deitar no sofá e ligar a TV, reclamar do tempo, da agenda alterada, das expectativas frustradas. Poderia ter deixado que o cinza apagasse o entusiasmo do dia.
Mas me aproximei e abri a janela.
O ar úmido entrou devagar. O cheiro de terra molhada trouxe memórias boas da infância. A precipitação, vista de perto, já não parecia um obstáculo, parecia cuidado. O céu, ainda fechado, cumpria seu propósito silencioso.
Foi ali que entendi: ser grato é abrir janelas.
Os planos precisaram mudar, mas algo dentro de mim finalmente amanheceu, mostrando que a gratidão não impede a chuva; apenas transforma o olhar sobre ela.
E talvez a vida seja assim: nem sempre controlamos o céu, mas sempre podemos escolher como reagir, quais janelas abrir e o que vamos deixar entrar.