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Já teve dias em que achei que sabia muito.
Acordava com aquela sensação silenciosa de domínio, como se já tivesse entendido o suficiente da vida, do trabalho, das pessoas… de mim mesmo. Nada exagerado. Era só uma certeza tranquila, quase confortável.
Mas, aos poucos, algo começou a mudar.
Quanto mais eu aprendia, mais eu percebia que não sabia. Não foi de repente. Foi devagar, como quem abre uma porta e descobre que existem outras logo adiante.
O que antes era resposta começou a virar pergunta.
O que parecia sólido começou a mostrar pequenas rachaduras.
E isso incomoda.
Existe um desconforto silencioso em perceber que muitas das nossas certezas eram apenas versões provisórias. Que aquilo que defendíamos com tanta convicção ainda tinha muito a ser revisto.
Foi então que aquela ideia antiga me atravessou, quase como um sussurro de Sócrates: “Só sei que nada sei.”
E, pela primeira vez, isso fez sentido.
Quando a gente entende que não sabe tanto quanto imaginava, algo dentro da gente se reorganiza. A pressa diminui. O julgamento perde força. A escuta cresce.
A gente observa mais.
Fala menos.
Aprende de verdade.
Hoje, dizer “não sei” já não pesa como antes.
Pesa mais fingir que sabe.
Porque, no fim, quem acha que sabe tudo, para.
E quem percebe o quanto ainda não sabe continua.
E continuar, talvez, seja a forma mais honesta de crescer.